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City Tour em Cusco: Como funciona? Vale a pena?

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Nesse post, falarei sobre como foi nossa chegada em Cusco, o soroche (mal de altitude), city tour, e tudo o que amei ou faria diferente. Vocês já sabem: qualquer dúvida, usem e abusem do campo de comentários 😉

Chegada em Cusco:

Tínhamos a opção de ir direto de Huacachina a Cusco de ônibus (que saiam sempre as 22 horas), levando mais de 10 horas de viagem em estradas cheia e curvas e segurança duvidosa. Resolvemos gastar mais, poupar tempo e viajar mais tranquilos, voltando de Huacachina a Lima (cerca de 4 horas de viagem de ônibus). Pegamos um táxi na estação Cruz del Sur até o aeroporto, e chegamos por volta da meia noite (nosso voo era apenas as 5 da manhã – chá de cadeira total..rs).

Veja aqui como funcionam as viagens de ônibus pelo Peru

A viagem de Lima a Cusco de avião leva cerca de 1h30mins apenas e o motorista contratado pelo hotel estava nos aguardando. Chegamos, o hotel nos ofereceu o café da manhã, descansamos por umas 2 horas e depois fomos comprar o Boleto Turístico para fazermos o City Tour a tarde…

Quer saber como  funciona o Boleto Turístico? Veja aqui

Sobre o soroche – 1: Até esse momento, não me senti mal, apenas um cansaço maior do que o normal para subir as escadas do hotel e caminhar pelas ruas, para comprar o Boleto. Felizmente, nada de dor de cabeça, enjoo, porém, tomei um chá de coca assim que cheguei ao hotel, por via das dúvidas 🙂 Outro ponto interessante é que eu não sentia a mínima fome: comi umas frutas assim que cheguei no hotel e, apesar de nosso tour iniciar as 13 horas, preferi não almoçar.

City Tour: Como funciona?

O City Tour começou as 14 horas e terminou por volta das 19 horas.

A visita começa pela Catedral de Cusco (cujo ingresso é cobrado a parte e fotos de seu interior não são permitidas) e segue para Qorikancha, Sacsayhuaman, Qenko, Puca Pucara, Tambomachay.

Fechamos o City Tour diretamente com o Hotel e a empresa que prestava o serviço era a Responsible Travel Peru, como comentei nesse post aqui.

A maioria das empresas opta pelo tour em grupo, o que sai barato e tem um guia te acompanhando o tempo todo. Outras opções são contratar um táxi (maior flexibilidade no seu passeio, porém, sem um guia para te explicar sobre os sítios, o que faz bastante falta) ou contratar um tour privado (o que é ótimo, porém, bem mais caro).

Catedral de Cusco:

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A empresa foi nos buscar no hotel (que era bastante central), por volta das 13 horas e o tour em si só começou por volta das 14 hrs, na Catedral. Esse foi o primeiro ponto que me incomodou: como o meu hotel era relativamente próximo a Catedral, o correto seria buscar os turistas hospedados em lugares mais afastados e depois nos buscar. Mas tudo bem, sem dramas, afinal, eu estava realizando o meu sonho de conhecer Cusco 🙂

Ficamos cerca de 1 hora na Catedral, que cobra 25 soles a entrada (Base Set/14), não inclusa no Boleto Turístico (compramos ali na catedral mesmo, mas você também pode adquirir o ingresso no mesmo lugar onde vende o Boleto Turístico). Achei o passeio interessante, tivemos sorte de pegar um guia apaixonado pela sua cidade e cultura, que nos explicou que a Catedral começou a ser construída no século XVI  pelos conquistadores espanhóis, nos mostrou diversas esculturas e pinturas. Além de a Catedral ser linda (fotos lá dentro não são permitidas), o que me chamou muito a atenção foram algumas obras feitas pelos quechuas: é notável a diferença das pinturas e esculturas feitas pelos quechuas e espanhóis – a falta de técnica desses primeiros era bastante visível e Jesus era sempre retratado com o corpo mais moreno e magro em relação às obras de autoria espanhola. Também vimos pinturas da Santa Ceia em que era servido o cuy (porquinho da índia), prato típico peruano, além de vestimentas femininas que remetem a montanhas (uma referência a Pachamama, mãe Terra, reverenciada pelo povo inca). Tudo isso era uma forma de o povo inca manter viva, sem que os conquistadores percebessem,  um pouco de sua cultura, apesar da imposição espanhola para que aderissem ao catolicismo.

Boleto Turístico: Veja aqui como funciona

Achei fantástico! E, dessa visita em diante, passei a reparar muito em outras obras peruanas, sempre avaliando se havia sido feita por um inca ou um espanhol..rs

Qorikancha (Templo do Sol)

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Logo após a visita à Catedral, fomos conhecer o Templo de Qorikancha – reza a lenda que todas as paredes desse templo eram cobertas de ouro e pedras preciosas, que foram todas tomadas pelos conquistadores espanhóis. Sinceramente, não tem mais como saber se isso é verdade, porque se o fizeram, foi bem feito: não sobrou mais nenhum resquício de ouro por lá.

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Aqui o encaixe perfeito das pedras impressiona, assim como em outros lugares que visitei em Cusco: grandes e bem polidas, o guia nos explicou que, quanto mais perfeitas em seu acabamento, significava que o lugar era destinado a alguém muito importante – e, de fato, Qorikancha era: o templo foi construído em homenagem a Inti, o Deus Sol, e corpos mumificados de incas nobres eram lá mantidos para cerimônias.

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Essa pedra, que inicialmente pensaram tratar-se de uma mesa cerimonial, nada mais era do que a base de uma coluna que seria construída:

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O Templo estava super lotado de grupos de turistas, que estavam fazendo o mesmo trajeto que a gente, e em alguns momentos foi meio chato tentar acompanhar o que o guia explicava, tirar foto e se esquivar de dezenas de pessoas que pediam licença…

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A vista de cima do Templo

A vista de cima do Templo

Nota: A entrada a Qorikancha é cobrada a parte (não inclusa no Boleto Turístico). Compramos o ingresso na hora e pagamos 10 soles (Base Set/14).

Sacsayhuaman

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Após a visita ao Templo do Sol, seguimos de ônibus a Sacsayhuaman, a uma altitude mais elevada de Cusco (eu ainda estava super bem, nada de soroche!).

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Sacsayhuaman é um dos maiores templos incas de Cusco e o guia nos explicou que Cusco foi projetada como uma forma de puma pelos incas, sendo que Sacsayhuaman representa a cabeça e seus muros dentados, as presas do animal. A construção desse templo se deu para servir como guarda e, em caso de emergência, a população cusquenha poderia se abrigar ali.

Detalhe para a altura das pessoas versus pedras

Detalhe para a altura do homem versus pedras

 

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Os conquistadores espanhóis mataram diversos incas no local e derrubaram muitos muros, transformando Sacsayhuaman em uma pedreira – as pedras dalí retiradas foram usadas principalmente na construção de igrejas em Cusco.

A grandiosidade do lugar realmente impressiona: vejam só o tamanho da pedra. A gente começa a se questionar: como as carregavam? Quantos homens dedicavam-se a esse trabalho? Como o lugar sobreviveu ao tempo e aos terremotos? As portas gigantescas eram disputadas pelos turistas, loucos para tirar uma boa foto…

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Na volta para o ônibus, um casal do grupo sumiu! Acho que perdemos uns 30 minutos nessa de tentar encontrá-los para seguir o passeio e nada! 🙁

Qenko

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Aqui fiquei super frustrada: como já estava ficando tarde, nem entramos no Templo. Furaram nosso Boleto Turístico e só pudemos fotografar do lado de fora, o que deve ter durado uns 5 minutos, sem explicações do nosso guia!

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Poxa vida, por mais que Qenko seja pequeno –  o que restou é um túnel com uma mesa cerimonial utilizada para sacrifícios religiosos – não é todo o dia que se visita templos tão importantes, e estar lá na frente e não poder explorar um pouco mais é meio frustrante.

Puca Pucara

Aqui, mais uma decepção: quando chegamos a Qenko, carimbaram também Puca Pucara e só vimos esse templo através da janela do carro, pois já estava escurecendo e nossa próxima parada seria Tambomachay.

Eu e meu amigo já estávamos decepcionadíssimos com o City Tour nesse momento: levamos 2 horas entre buscar os turistas nos hoteis e visitar a Catedral (que, obviamente, é um lugar fechado) para depois sair correndo para visitar as partes mais importantes do tour, que são os sítios arqueológicos…sem comentários!

Bom, como não visitei, não tenho muitas fotos e informações locais para vocês, mas a construção de Puca Pucara se deu para servir como um posto militar.

Tambomachay

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Um dos lugares que eu mais queria conhecer nesse City Tour, Tambomachay demonstra a adoração dos incas pela água. Aqui já comecei a sentir um cansaço bem maior – a cidade está a quase 3800 metros de altitude e eu só havia comido umas poucas frutas de manhã cedo, lembram? Eu não sentia fome, mas indisposta – uma viajante do grupo passou mal e precisou parar um pouco. Não esqueça de levar água, em todos os passeios!

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O Templo foi construído como um ponto de descanso dos incas, com um rico sistema de irrigação. Eu perguntei ao guia de onde vinha aquela água (lembrem-se que estávamos a 3800 metros de altitude) e ele me respondeu que arqueólogos começaram a escavar a região para saber de onde vinha a água, não descobriram e, notando que a estrutura começou a ser prejudicada pelas escavações, interromperam os trabalhos.

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Na volta de Tambomachay a Cusco, nos levaram a uma grande loja onde explicavam a diferença entre as lãs de alpaca, lhama e vicunha. Os produtos oferecidos eram muito bons, porém, caros.

E nessa hora também, comecei a me sentir meio mareada – não era enjoo forte, mas um cansaço e desconforto. Não via a hora de voltar ao hotel, tomar um bom banho e descansar. Fui jantar a muito contra gosto, mas nada descia… 🙁 Tomei um remédio e acho que engasguei, não sei, só sei que passei mal, achando que vomitaria e acabei largando a comida toda no prato. Voltei ao hotel, tomei muita água, banho e cama! Acho que nesse dia juntou tudo: não dormi, não comi e me expus a uma altitude de quase 4000 metros…o corpo pedia descanso e, podem acreditar em mim: o repouso é a melhor forma de lidar com o soroche!

Valeu a pena o City Tour?

Eu teria feito diferente, ao invés de de contratar esse passeio de grupo, teria pego um particular.

Aí você me pergunta: Mas é mais caro, né? Sim, é beeem mais caro (imagino que uns USD 40 a mais), mas, sinceramente? Se tem uma coisa que não economizo em viagem é em passeio que faço questão. Mas essa, obviamente, é a minha opinião.

Todos os City Tours em grupo começam as 14 horas e é aquela loucura desenfreada para visitar os templos antes de anoitecer e disputar espaço com outros milhares de turistas que fazem o mesmo roteiro. Eu cheguei a questionar uma guia por que não tem grupos de manhã, e ela me respondeu que é porque a maioria das pessoas já o fazem quando chegam de Lima, por isso as empresas padronizaram os tours no período da tarde.

Esse esquema é muito ruim, pois a claridade do dia é desperdiçada dentro da Catedral, quando poderia ser dedicada aos sítios arqueológicos, deixando a parte externa por último. Num tour privado, você escolhe o horário e decide quanto tempo quer ficar em qual lugar, por isso, se você tiver um dinheirinho sobrando, recomendo o tour privado sem sombra de dúvidas.

Dicas para os passeios:

  •  Protetor solar: o deslocamento da Catedral para Qorikancha é feito a pé e, nessa hora, o sol está bem forte.
  • Boné/chapéu: pelo mesmo motivo acima
  • Água: você pode até encontrar pelo caminho mas, obviamente, mais clara. Além do fato de precisar se hidratar ao longo do dia, nesse ritmo de caminhada, você vai perceber como sentirá necessidade de água em lugares mais altos
  • Casaco: ao entardecer, começa a esfriar demais. Leve um bom casaco
  • Boleto Turístico: Não esqueça de levá-lo ou não poderá entrar nos sítios arqueológicos

Gastos Totais:

  • City Tour: US$ 22
  • Boleto Turístico: 130 soles (ainda seria utilizado em outros passeios em Cusco)
  • Entrada da Catedral: 25 soles
  • Entrada a Qorikancha: 10 soles

Todos esses valores são referentes ao período de Setembro/2014.

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E, qualquer dúvida, é só postarem aqui no campo de comentários!

17 Comentários para “City Tour em Cusco: Como funciona? Vale a pena?

  • Herbert Pereira no dia escreveu:

    Olá Vanessa. Tudo bem?

    Só uma pergunta: Você comprou o city tour diretamente no hotel? Posso compra-lo com apenas um dia de antecedência?

    Desde já, obrigado pelas informações

    Responder

    • Vanessa Macagnan no dia escreveu:

      Ola, Herbert, isso mesmo. Comprei direto no hotel e no proprio dia do passeio. Le,bre-se de que eles comecam ao meio dia, e nos reservamos assim que chegamos, por volta das 8 horas. Qualquer coisa, te aconselho ter o contato de umas 2 ou 3 agencias de turismo, caso nao de certo com o hotel. Abracos

      Responder

      • Lais no dia escreveu:

        Olá Vanessa, eu gostaria de indicações de algumas agencias de viagens de turismo para compra o city tour. Poderia me passar?

        Obrigada!

        Responder

        • Vanessa Macagnan no dia escreveu:

          Oi, Lais, em Cusco eu usei muito a Responsible Travel Peru, que contratei através do hotel, e gostei bastante.

          Abraços
          Vanessa

          Responder

  • Ni no dia escreveu:

    Oi. Otimo seu post.
    ME ajuda em uma dúvida. Eu consigo vfazer o passeio Vale Sagrado sem comprar o Boleto turistico?

    Responder

    • Vanessa Macagnan no dia escreveu:

      Olá, Ni. Sua idéia é fazer apenas o Vale Sagrado (Pisac, Ollantayambo, Chinchero)? Nesse caso, você pode comprar um Boleto mais barato (veja aqui: http://www.cosituc.gob.pe/tarifas.php). Se for visitar outros sítios arqueológicos, compensa mais comprar o Boleto integral, que sai mais em conta do que ficar comprando individualmente a cada sítio visitado.
      Qualquer dúvida é só falar.
      Abraços
      Vanessa

      Responder

  • DANIEL no dia escreveu:

    VANESSA, TUDO BEM? ME DÁ UMA DICA… COMO DEVO ORGANIZAR O PASSEIO NO VALE SAGRADO JÁ FICANDO NA ESTAÇÃO DE TREM PARA AGUAS CALIENTES? QUAL HORÁRIO DE TREM RESERVO PARA ENCAIXAR NO HORARIO DO TRANSFER?

    TAMBÉM SABE ME DIZER O CUSTO DO TAXI DO AEROPORTO PARA O CENTRO DA CIDADE APROXIMADO?

    NA VOLTA DE AGUAS CALIENTES DEVO IR DIRETO A CUSCO CERTO? TENHO A OPÇÃO DE COMPRAR ESTE TRAJETO DE VOLTA INTEIRO?

    OBRIGADÃO E GRANDE ABRAÇO!

    DANIEL

    Responder

    • Vanessa Macagnan no dia escreveu:

      Daniel, eu recomendo que você pesquise algumas empresas que fazem o tour pelo Vale Sagrado e pergunte o horário aproximado de saída de Ollantaytambo, cidade onde você pegará o trem para Águas Calientes. Via de regra, daria tempo se você pegasse trem a partir das 16 horas, mas é bom considerer possíveis atrasos para não perder a viagem.
      Em relação a taxi do aeroporto para o cebtro do Cusco, estava incluso no meu hotel, logo, não consigo te informar. Você pode perguntar ao hotel/hostel onde ficará hospedado para ter uma base.
      Na volta de Águas Calientes, a estação mais próxima de Cusco é Poroy – lá tem muitos taxis que te levam te volta ao hotel.

      abraços
      Vanessa

      Responder

      • Daniel no dia escreveu:

        Vanessa, obrigado pelo retorno!!! E pelo blog!!! O trem, preciso comprar as passagens antecipadas ou geralmente compra se na hora lá?
        Vc tem alguma dica de agência que usaram quando foram fazer o circuito do Valle sagrado?
        Abracao e ótima semana!

        Responder

        • Vanessa Macagnan no dia escreveu:

          Olá, Daniel

          Eu comprei antes, para conseguir um preço melhor e garantir o horário que preferia viajar.
          Fiz o passeio com uma empresa chamada Responsible Travel Peru, gostei bastante.

          Abraços
          Vanessa

          Responder

  • Anderson Silva no dia escreveu:

    Vanessa, quando eu contrato o city tour com o boleto integral está incluso os 16 pontos do boleto?

    Responder

  • Antonhy no dia escreveu:

    salkantay faz trekking e city tour em Cusco através deste site é muito bom 🙂

    Responder

  • Diana no dia escreveu:

    Olá, adorei o seu relato! Muito interessante! Obrigado por partilhar! Pode, por favor, indicar qual a empresa que realizou o passeio? Ela tem sede em Cusco?

    Obrigado,
    Beijinhos,
    Diana

    Responder

    • Vanessa Macagnan no dia escreveu:

      Oi, fiz com a Responsible Travel Peru – eles eram parceiros do meu hotel em Cusco, mas no site tem bastante informacao. Abraços

      Responder

  • Carlos no dia escreveu:

    Boa noite Vanessa,
    Todos os passeios vc comprou lá?
    Como vc fez o câmbio ?

    Responder

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